Encantos


Eu chegava atrasado
as vezes
sempre
mas chegava inspirado
arrumado
sempre chegava
parecia magia
tudo encantado
nos encantávamos
com força
deitados
e de todos os jeitos
tudo encantado
perfeito.

Nossas bocas
muito loucas
muito uso
do abuso
falado
entre respirações
que acabavam com o ar
sem pressa de chegar
a pegar
muito abuso
do uso
da sede
na parede
na pia
na voz, vadia
sem poesia
você chorava
sorria
eu bebia
suas mudanças de cor
tremia
na sua
totalmente
ou semi nua
na mesa
na rua.

As vezes
você chegava crua
eu praticava
na sua
a gastronomia
você sorria
chorava
você criava
e chegava
eu sorria
na minha
você repetia
tremendo
querendo
a voz, vadia
na na sua cama
na minha.

As vezes
você chagava
e eu estava
com fome
cansado
cheio de poesia
sua cabeça doía
a gente comia
fumava
sorria
calava
dormia.

As vezes
eu não chegava
você chorava
e perguntava
da vadia
eu mentia
você sorria
eu tremia
temia
o seu sorriso mentia
disfarçava
eu fazia
você sumia
eu traía
outra voz te dizia
safada
sem poesia
no chão
na pia.

Na separação
eu te comia
sem voz
sem poesia
após
o amor
morria.

17 de Abril

Se você não existisse
Tudo seria monte de nada

Se você não existisse
Eu inventaria uma de ti

Se você não existisse
Se você não estivesse aqui
Amor seria tolice
Poesia seria chatice
E meu coração, uma pedra gelada.

Imaginário

Impressionado com o imaginário
Inteligentemente declarado
Faço um livro de previsões
Como um diário

O involuntário prazer
Por saber o que fazer
Aos livres passos

Minhas prisões
Eu mesmo faço.

Iago

Vem levar-me à lugares
Por onde nunca passei
Vem fazer-me procurar saber
Pra poder responder-te e explicar-te...

Vem fazer-me aprender seja o que for
Que eu tiver que ensinar-te
Enquanto ensina-me o sentido de estar vivo
E mostra-me o motivo de tudo isso
Em forma de puro amor...

Vem, eu te protejo
Faço o que for preciso
Pra acalmar teu choro
Pra fazer acontecer teu sorriso
Vem meu filho que eu te nino
Eu te aqueço, te abraço
Te entrego a minha vida para sempre
Vem Iago, vem menino.

,

Ao ler-te
Referindo-se à mim:
Teu poeta....

Passo a chamá-la:
Minha poesia,
Ao sonhar-te
Em partes do dia.

Ao embriagar-me
Em planos relâmpagos
De encontrar-te
Cem vezes numa tarde,
Sem raciocínio,
Sem que o sim
Vista-se de não...

Passo a respirar-te
Junto ao ar da noite
Onde é permitido voar
E ainda assim,
Poder tocar
Os pés no chão.

A cidade sorri

Minha vontade de escrever
Aparece em um instante
Sob incentivo de um coletivo
De sensações sem nome
Em doses exageradas


Sob efeito desse impulso
Passo a ser punho
Caneta e papel
Embriagado nos encantos
De uma moça
A qual conheço tanto
Quanto conheço os sonhos
Que nunca tive


E aqui estou, sonhando
Sem sono...


Assisto a moça caminhar
Fazendo a cidade sorrir
E a cada passo que dá
Dela transbordam versos
Toda a cidade vem assistir
A moça que por onde passa
Fabrica um recital a lhe seguir.

jardim vivo

A grande árvore anuncia
O inicio do final da tarde
Avisando que desfazer-se de partes
As quais n
ão consegue mais suportar
Faz parte de manter-se firme

As senhoras donas do lago
Dan
çam com tanto charme
Que olhar, passa a n
ão bastar

A chegada da chuva

Mais parece um palpite
De que na casa das bromelias
Ha um convite a nos abrigar

Apos estarmos acomodados,
Aproximam-se mais convidados
Trazendo em seus sorrisos e olhares
A felicidade que n
ão se pode comprar
E o amor pela vida se pronuncia
Sem lamentar o peso de seus fardos

O C
éu logo atende o pedido
Da mo
ça que me guia
E em seguida, o inicio de noite
Anuncia a hora da despedida

O jardim da poesia viva
Silencia e escurece
Nos deixando a sos

E diante de nos
Adormece.

Entre paredes de Copacabana

Eu
entre paredes
que desconheço
se de fato
era aceito
e respeito.
Sob efeito
de incentivo
refinador
dos meus sentidos
vi meus defeitos
versados
aceitos
por verdes
multitonados
refinados
que não lembro direito.

Lembro
serem de um jeito
que nem a ousadia
da minha poesia
arriscaria ser próximo.

Em versos tóxicos
dos que são expressados
sem auxílio de raciocínio
sem previsão de prevenção
escutei multiplos acertos
no concerto
em notas
das cordas falhadas
amplificadoras
dos multiplos
assuntos astutos de ana.

a aparência
que me desconcentraria
que me faria gago
encontrava-se
em fase
de quase ausência
em um dia
que continha
uma semana.

os multiplos tantos
contos de ana
eram incentivo
de incentivos
multiplicados
servidos
em louça plana.
Alimentos
polinutritivos
de descontidos
desprevenidos
fragmentos de tempo
que mesmo
que venham
a ser desnutridos
após
pós momentos
postaram caminhos

plurais caminhos
de letras agrupadas
multiaplicadas
por polinização
da policriação
em multiprodução
entre paredes
de copacabana

eu
vi se abrirem
portas
tortas
multilineares
ao sumirem
sobre porcelana
poliversadas
palavras
derivadas
compostas
por ana.

Encantos

Eu chegava atrasado
as vezes
sempre
mas chegava inspirado
arrumado
sempre chegava
parecia magia
tudo encantado
nos encantávamos
com força
deitados
e de todos os jeitos
tudo encantado
perfeito.

Nossas bocas
muito loucas
muito uso
do abuso
falado
entre respirações
que acabavam com o ar
sem pressa de chegar
a pegar
muito abuso
do uso
da sede
na parede
na pia
na voz, vadia
sem poesia
você chorava
sorria
eu bebia
suas mudanças de cor
tremia
na sua
totalmente
ou semi nua
na mesa
na rua.

As vezes
você chegava crua
eu praticava
na sua
a gastronomia
você sorria
chorava
você criava
e chegava
eu sorria
na minha
você repetia
tremendo
querendo
a voz, vadia
na na sua cama
na minha.

As vezes
você chagava
e eu estava
com fome
cansado
cheio de poesia
sua cabeça doía
a gente comia
fumava
sorria
calava
dormia.

As vezes
eu não chegava
você chorava
e perguntava
da vadia
eu mentia
você sorria
eu tremia
temia
o seu sorriso mentia
disfarçava
eu fazia
você sumia
eu traía
outra voz te dizia
safada
sem poesia
no chão
na pia.

Na separação
eu te comia
sem voz
sem poesia
após
o amor
morria.

......

pulsos
sangrando frases
sem cortes

sonhos sem sono
sem dono

cortes
pulsando frases
sem sangue

Chegadas as horas

Quando o tempo acabar
E eu não puder esperar mais
Com essa calma e conforto

Quando um cego vier avisar
Que não sei mais ver diferença
Entre viver e não estar morto

Quando voltar a enxergar
E antes que eu possa evitar
Um sopro fechar todas as portas

Quando não souber dizer
O que quero dizer com isso tudo
Que não suporto ficar sem escrever

Meus olhos vão esquecer
O que me faz buscar felicidade
E irei morrer de saudades
De poder viver as partes
Quais vou morrer sem connhecer.

Inseparáveis

Ao meu ver...
Quer saber?

Na busca incansável por melhorias
Quem desiste sequer fica triste
Porque a perda nesse caso, não existe

Na conquista por sabores incomparáveis
E orgasmos que não podem ser descritos
Lágrimas e sorrisos são inseparáveis

Não há como evitar mudanças
Não há como eliminar os riscos
A cada suspiro, um novo infinito é escrito.

Imaginário

Impressionado com o imaginário
Inteligentemente declarado
Faço um livro de previsões
Como um diário

O involuntário prazer
Por saber o que fazer
Aos livres passos

Minhas prisões
Eu mesmo faço.

Saudades da favela

Andei uns tempos por aí,
conheci uns lugares.
Entre esses,
uns eram restritos,
reservados para poucos.

Frequentei novos ares,
boates, apartamentos, bares,
os quais em alguns momentos
me fizeram lembrar
palcos iluminados
teatros e das passarelas.
Vi gente muito elegante,
muito influente, muito bela.

E sinceramente,
muita saudade da favela.

Olhos de estrelas

Nos Olhos Dela,
luz...
Eu nunca havia visto tanta,
a não ser em estrelas
protagonistas de espetáculos celestes.

Nos Olhos Dela,
montanhas...
As quais de ver,
faz sentir um segurança
típica de incríveis fortalezas.

Nos Olhos Dela,
O Infinito da pureza..."


...

Reconheço você

Eu reconheço você.
Você é uma daquelas luzes
que eu passo os anos procurando.

Eu aceito você.
Você é uma daquelas pessoas
das quais não se pode ter muito,
para não ser egoísta com o mundo.

Eu admiro você.
Você é uma fortaleza,
é de verdade,
é daqueles seres
que não tem nem parecido.
É a mistura
do nobre e o mais puro,
com a beleza.

Você é linda em tudo.


...

A dona dos olhos

Descobri nos olhos montanhosos
Uns brilhos novos
Mais poderosos
Que os do espelho

Brilhantes olhos estes
Mais confiantes
Que os de muitos seres
Fizeram-me próximo
Fizeram-me querer
Ser um ser importante
Daquele instante em diante

Descobri
Que a dona dos olhos confiantes
Acha imporatante ser
Um ser dos meus próximos

A dona dos olhos brilhantes
Passou a ser um dos seres
Que mais gosto

Aposto que sente
Exatamente
Intensamente
O mesmo que eu.

...

Espelhos

Por aqui,
vejo quadros se mexerem
sem saberem
que a mente
distorce espelhos,
que a paranóia
é especialista em dar conselhos.

Mulheres de beleza completa,
na certa se acham em defeitos.

É mais fácil que assumir perfeição
pintada no seu jeito.

...

A encantadora de girassois

Nervosismo inexplicável.
Receio, cuidado,
todos os jeitos de evitar
expressar-me demais,
e mais, preocupar-me,
em ser aceito quando o fizer.

Só desfruto desse comportamento
quando o receptor da expressão
é uma mulher.
Só fico assim,
tropeçando nas palavras,
me inspirando tanto, a ponto,
de ir desistindo de falá-las;
assim,
só quando em estado encantado,
inspirado.

Não fiz terapias,
nunca frequentei analistas,
(penso as vezes que até deveria
mas acho que quanto a isso
não necessito ser diagnosticado,
tenho forte intuição,
e na minha opnião,
o que me faz raciocínio,
perde de muito
para o que me faz emocionado.

Julgado, difamado, falado
Por mulheres lindas
Na essência e na aparência
Por homens, creio eu, limitados.

Eu não sou apto a dizer
quem está certo ou errado.
O que posso fazer ser expressado
é que eu só me movo pelo que sinto,
por instinto, que admito,
é faminto por poesia,
e poeta eu não seria
caso não fosse exagerado.

Por exemplo, nesse momento exato,
encontro-me em estado de encanto,
de inspiração,
em nível alto, avançado.

Mesmo que seja impossível
deixar claro em registro,
vou deixar escrito, o rascunho,
da explicação de como a culpa
não é minha, é da moça.
É ela que faz com que eu sinta tanto,
com tanta força,
que meu punho quase que sozinho,
dispara a dançar nas folhas.

Um apelido para ser dado a ela
tem que ser de um bom gosto elevado,
exige ser genial, caprichado.
Porque a moça além de muito bonita,
carrega Flores no nome que assina,
e grita: "sou feita de charme!"
sem dizer absolutamente nada.

Vão dizer ainda que a culpa é minha,
que eu sou facil de ser conquistado.
Veja bem,
ela brilha um sorriso só dela.
Versa seus passos dançando,
agora diga se sou culpado,
a moça dança de um jeito.
que se eu pudesse escolher
o roteiro dos meus sonhos,
sem dúvidas, em sonhos,
há muitos anos já teríamos dançado.

Eu? Poeta? exagerado?
Olha, não sei dizer direito
o que mais me parece interessante,
se é o cheiro ou se é a voz.
Quase esqueço o que a moça tem de sobra,
que me encantou de começo,
a luz, isso nela, transborda,
a luz da moça é tanta,
que se for de seu desejo,
planta no apartamento seus girassois.

Alguém aponte nos meus versos
onde há exagero dos meus cortejos.
Eu simplesmente sinto o que interpreto,
interpretando o que é sentido,
no ritmo que bate essa coisa no meu peito.

.

Pedras

A segurança que é causada
Por excesso de confiança e afinidade
Pode ter consequência covarde

A base de pedras verbais
Disparos perfeitos são feitos

O confiante subconsciente
Tem certeza que sente
Tem certeza que é leal
Por isso, assegurado
Transfere raiva
O mal cuspido
Sem fundar motivo de verdade

Esposas, Maridos
Filhos, Pais
Amigos, Mães
Amantes, As encantadas
Os mais dedicados.

Forjados argumentos são criados

Os confiáveis, vulneráveis
Imaginam mil possíveis deslizes
Ou infelizes palavras indesejáveis

A cegueira de quem ataca
Fabrica distância
E faz com que apareçam
Opiniões nunca divulgadas

Baixem a voz
Usem o senso
Procurem o senso
Ao se irritarem
Aprovem seus pensamentos
Tentem lembrar do que sentem

Os atacados subconscientes
Podem cismar
Em desistirem de digerir
O volume das pedras atiradas
E zerar.

,

Já estive em apartamentos
Onde ao mesmo tempo
Falavam todos
Sozinhos
Assuntos vazios

ísta

Inteligência
Não produz recursos
Os quais preciso
Para ser digno

Minha vida é vazia
Por isso essa arte
Sem qualquer serventia
Sustenta o egoísmo
Desde sempre
Todo dia...

Tolas, sábias

Contei, ouvi
Muitas mentiras
Descaradas, descontidas
Tolas, sábias

Vi muitas flores secando
Em tentativas de salvar falsos amores.

Nos meus sonhos




Nos meus sonhos
Quando em sono profundo
Ou quando acordado
Sonhando com o futuro.

Nas lembranças
Das emoções
Entre sorrisos e lágrimas.

Nas páginas arrancadas.

É só saudade
E mais nada.

Brindar

Notei tremores
Em terrenos, aparentemente
Completamente seguros

Guardei venenos para brindar

Doei planos de causar danos
Aos traidores, sem notar.

,.,.

Meus sorrisos tremidos
São sinceros
Mesmo quando forçados

Meus exageros
Quadros de preocupação
São só meus

Nos dias mais difíceis
Consigo absorver erros alheios
E os inocentar sem julgar

Não filtro pessoas
Não peço à ninguém para me aceitar.

...

Neste mundo
Dos isqueiros trocados
Já vi acenderem olhares
Quais em outros lugares
Além de cegos
Eram calados.

Aqui vi ego
Criando verdades
E instinto passando de tarde
Ouvindo relógios
Pedindo piedade
Para que o mundo
Nunca se acabe.

Vi muitas flores
Amanhecerem de tarde
Vi tremedeira
Surtos doces
De noite
De dia
Vi poesia em luta
E a mente pedir ajuda.

Veja

Entende meus olhos?
Há uma seleção por si só

Não garantidos valores promíscuos
Apegados à um trevo seco guardado há anos
Numa estante velha entre velhos discos
Ou uma foto que não se pode perder
Que já sofreu muitos danos
Mas relembra o que foi brilhante
O registro daquele instante.

Bobagens imaginárias com cores falsificadas
Cada um com suas bobagens
Habitando suas moradas
Carros novos, festas caras
Carnes nobres, drogas raras
Mulheres pintadas e fantasiadas de nada
Seja qual for a quantia
Seja qual for a tara
Não estimulam minhas melhores risadas
Essas, não tem explicação
São de sorrir e de perder o sono

Quer saber qual é de viver como eu vivo?
Te mostro como...
Viva em companhia da lealdade
Que tenho entre meus amigos
Apaixone-se pelas mulheres
Por quem me apaixono.

meus...

Vocês são meus...

motivos de inspiração,
fontes de vontades,
carcereiros da minha liberdade,
são meus olhos.

Muitas vezes são minha indignação,
por não conseguir mantê-los
distantes de dias tristes,
as vezes.

Vocês me dizem
sem precisar dizer nada
que o amor não só existe,
mas que é infinito o seu tamanho.

Vocês me amam,
eu sei mais disso
que consigo expressar em palavras
o quanto os amo,
e olha que eu sei palavras aos montes.

Tem horas quais são as provas
de que eu estou longe de ser perfeito,
horas em que meus defeitos são exalados,
os atingindo em forma de erros,
eu sei pedir desculpas
quando não estou totalmente cego,
por ego, cismado por estar certo.

Tem dias que eu os salvo
de apuros mentais,
emocionais,
com palavras que nem eu sabia
que saberia usar com tamanho talento.

Tem momento
que só de lembrar
de metade da metade de todos vocês,
dos que não vejo faz anos,
dos que moram bem longe,
dos que eu não me dedico tanto,
dos muito recentes,
dos presentes diariamente,
até os que duvidam do que eu sinto,
os que eu mais brigo,
pobres, ricos, gênios,
paranóicos, mentirosos.
Só de lembrar,
meus sorrisos misutram-se
a uma vontade de chorar,
de continuar vivo,
chega a ser esquisito.

vocês são muitos,
perdi a conta faz tempo,
uns de vocês não se gostam,
não se suportam,
muitos nem se conhecem,
não se merecem.

Em nem todos eu confio,
por isso nem todos sabem de tudo,
uns falam mais que a boca,
outros, mudos.

A maioria de vocês
já me disseram coisas
que me deixaram extasiado,
por exemplo:
já me chamaram de iluminado,
isso é muito fácil
rodeado de luzes.

Muitos sumiram,
a maioria vai sumir no futuro,
fisicamente vão ser esquecidos
mas ja assinaram uma ou mais partes
do meu crescimento,
dos meus caminhos.

Eu posso viver sem vocês,
só não posso dizer
que vai ser doce como tem sido,
nem prometer
não desenvolver
o hábito de chorar
se sozinho.

Luzes

Esperam luzes
Mas ignoram claridade
Gostam mesmo do calor

Estão em posse de tesão
Em buscar formas
Novas de inspirar

Tesão por dias frios
E todas as formas
De esquentar.

Horas

Exagero poético descontrolado
Entre segundos de lucidez
Vícios e insensatez

Dias frios
Tremores deslocados
Versos compulsivos
Litros alcoólicos de estupidez.

O doido e a doida

O doido carrega uma cruz
Busca luz onde não há
A beber e a pernoitar
Fica sem mais passos a se passar

Uma doida o seduz
O conduz até a vacina
Agora além de não ter luz
Também não tem adrenalina

Fica só o doido e sua auto-estima

Ele procura uma cruz
Volta cheio de argumentos
A doida oferece o tormento
Em troca de doces momentos

Como paisagem
Um moinho de tempo
Contra-vento
Os dois escolhem os caminhos

Se for pra serem doidos a dois

Melhor que sejam
Muito doidos sozinhos.

.

Sem cartas referenciais
Não tenho paciência para teatro

Venha com seus defeitos mesmo
Suas oscilações de humor

Você
Seja quem for.

Os melhores do mundo

Vi teus olhos de perto
Transparecendo
Tua sede
Por sorrir nos olhos

Vi coragem no teu jeito de olhar
Querendo em meus olhos
Atenção de verdade

Vi liberdade em teus lábios
Tremendo confusos
Em sorrisos mais puros
Que os meus sorrisos esperavam

Senti no teu cheiro um abuso
Confundindo meus passos

Vi a cor dos dias
Multiplicar-se em mil tons
Dancei teus sons
Dormi dias em apuros
Os melhores do mundo

Senti falta de tudo
Senti em sono profundo
Que só conseguia ficar acordado
Feito louco
Por voce em suas formas
Sua loucura adoçada
E por seu toque absurdo.

.

Não são seus olhos
Não é a sua pele
Não é o cheiro

É não ser perfeito e ser melhor que tudo

Acabou

Nem versos mais
São pra oferecer

Acabaram as festas
Acabaram os testes
Acabou o saber

Em vez de sorrisos contínuos
Teremos ódio
O ócio
E não há nada a fazer

Vai ser instantâneo
O incêndio
O isolamento
Sem lamentos
Sem gargalhadas

Vai ser o reflexo
Do reflexo
Do prazer

Eu mesmo

Eu mesmo sendo
Eu mesmo
Criador das minhas idéias
Dono das minhas opções
Não consigo entender-me
Na maioria dos segundos

Imagino o que é entendido
Por pessoas outras
No mesmo mundo
Cada qual em seu próprio surto.

Pouco

Perco coisas
As quais mais fazem
Sentir-me beneficiado

Acho um tédio
Os previlégios que me são dados

Sinto falta de dores fortes
Quando só viver
Não me faz ser golpeado.

Aos pecadores

Atenção pecadores!
Envolvidos por ouro
Em gelados bancos de couro
Dos computadores
De seus carros voadores
Os carcamanos do vaticano
Deixam bem claro...

Olhe mas não foque
Foque mas não toque
Encoste mas solte logo
Não solte mas não goze
Não mate também não se enforque

Na moral, não fode!

É que tira a minha paz

É da parte
dos movimentos
que ela faz
que vem essa vontade
de não aguentar
assistir sem fazer parte.

Porta fechada

Uma vez perdida
Quem a deixou ir
Pode seguir
Sem esperança
Sem querer

É como fechar porta
Sem chave

Nada vai fazer
Voltar a ver
É perder
Sem volta.

E só...

Para viver
Além de manter-me vivo
E sentir sabor nisso:
Caneta, ódio e amor
É só disso que preciso.

O que me faz bem
Não é ser reconhecido
Não tem dinheiro envolvido
Não tem a ver com um lugar ao pódio

Se quiser retribuir o abraço
O favor, a flor, seja lá o que for
Basta que mostre humildade nos olhos.

Sentimento expulso

O grupo de gente largada
Usando roupa largada
E que não larga a rua por nada
Projeta sob incentivo de instinto
Cada um na técnica que tem
No seu estilo individual
Sem pretenção de serem entendidos
Ou de arrancar elogios de sei lá quem

Estão a base de impulsos
Expulsando em pulsos
Tudo isso que sentem muito
Transformando os muros nas ruas
Em arte marginal pintada
Na qual cada artista que atua usa...

...amor, ódio e tinta enlatada.



( LIFE - ANG - MITO)


Fevereiro

O simples é tão mágico
Quanto tentam nos convencer
Que está tudo perdido
E o trágico é o comum

Nos servem com glamour
Um monte de valores invertidos

Mano... o amor
Não perde pra juíz nenhum
Não teme nenhum bandido.

Nomes

Afim de promover
Ou enfim derrubar
Tanto faz o que vai dizer

Essa cisma em citar nomes
De homens, mulheres
Quando os mesmos estão aunsentes
Só me faz lembrar de aceitar outra vez
Que nessas salas, celulares e festas
De tudo que tanto se fala
Raramente há algo que presta

.

O jeito comportado com que se mexe,
mexe com meus excessos de curiosidade
direcionados aos excessos
que provavelmente comete
ao descomportar-se.

O poeta é doido

O poeta é louco
Bebeu cerveja
Tequila e vodka
Um pouco.

Poeta é pouco
Ele é louco
Ele coleciona os sentimentos
Ele sente tão intenso
Que vive tensos momentos.

O poeta é confuso
Ele desafia
Qualquer que seja o muro
Ele se encanta por qualquer que seja o mundo.

O poeta fica surdo
Mudo
Gago
Sem tato
No ato de sentir
É tão forte
Que é absurdo.

O poeta não tem escudos
Ele se entrega ao amor
Sem pudor
Sem vergonha
Ele é maluco
Apostador
Mas é astuto
Curte a sorte
Curte a dor.

O poeta fabrica flor
Lê pouco
Mas é louco.

Amor é pouco
Ele quer saber o que vem depois do amor.


A inspiradora é perfeita
É feita pro poeta
É mais doida do que certa
É mais viva
Que qualquer cor
Seja qual for.

O poeta é vagabundo
Largado no mundo
Tem vícios
Propícios ao amor
O poeta luta contra o ego
Fica cego.

A inspiradora é uma loucura
Cheia das curas
Cheia dos versos
O poeta é exagerado
É apaixonado
É criador do doce da dor
E do amargo do amor.

Impulso

Quando faminto
Quando faço porque sinto
O fluxo beira a perfeição

É através do impulso
É no disparo do pulso
Em pulso de tesão
Inspirado em vontades
Sem julgar maldade
Sem boas intenções
Só matando a fome
Sem roupas
Sem nomes

No tato
Do ato
Em ações.

Exausto

Falei muito
de diversos jeitos
mudei por vezes
o método
para executar as falas.

Calei-me diante de frases
ditas por você,
formadas por palavras
que antes
nao suportava.

Cansei de tentar fazer acontecer.
Se eu pudesse escolher, eu não te amava.

Citações

Feitas perfeitas as colocações verbais
Conversas que lembravam recitais
Prometiam disciplina só vista em ceitas
O amor citado era de causar calor e tremor

Caiu no esquecimento por acaso
que é cada um por sí
caso seja o caso de sentir dor.

Dona

É que a dona
é dona de uma boca
de desconcentrar
de me fazer querer saber
o sabor e a cor das partes
quais não posso ver.

O jeito que ela tem de se mexer
me dá vontade de saber
das coisas que ela gosta
e como vai se comportar
segundos antes e durante
os instantes em que gozar.

...

Falar de amor sei lá

De amor, muito se fala
Muito se diz que sem amor
Não há como ser muito feliz

Eu sei lá de amor falar
Ou escrever sei lá...

Sentir calor de derreter
E congelar sem esperar?
Pode ser

Encontrar-se viciado
No desperdício
De tentar não se perder
Estando completamente perdido
Sem sequer saber
Onde se quer chegar?
Pode ser

Eu sei lá
Não sei nem como fui chegar
À chegar nesse lugar
De achar graça no vento
De não ter o que fazer
E sentir uma angústia tremenda
De permanecer no completo escuro
Mesmo que se acenda a luz
De valer a pena cada segundo
Cada surto, cada salto, cada tombo
E que sequer chega perto
De ser quase perfeito
E ser indiscultivelmente
Muito melhor que tudo.

desfaz

Uma abusada,
eu diria.

Inspiração não,
ela é própria poesia,
versando seus movimentos
desatentos
e intencionados
na sua grande maioria.

Ela me afronta
que transborda tesão.
e me aponta a direção
de uma porta
que bagunçaria
a minha vida.

encantador de humanoss

tudo bem,
eu tenho uma coisa
que parece dom
de encantar humanos.

em certas horas
o encanto é tanto
que quando vou embora
humanos choram.
tem lugares onde vou
que as pessoas me adoram,
tem gente doida
que me liga quando sente dor,
que sente saudade
que jura amor.

eu amo tanta gente
que essa gente nem acredita,

Rosalina

mulher que canta encantada,
declama a palavra entornada,
faz no meu peito a parada,
assusta minha respiração,

só a vi cantar
descalça no chão,
sem voz amplificada,
sem nada,
somente imponente emoção.

sua tristeza
não turva vidraças,
fabrica um monte de graças,
cantando ou versando ela passa,
deixando somente inspiração.

ela é doida de praça,
é fina, formosa, educada,
é talentosa, entendida, desastrada,
é rosa, sentida, cantada,
agrada qualquer coração.

...

eu passava
te via
mas não te encontrava

eu imaginava
como seria
mas você não passava

eu te encontrava
e te perdia
no gagueijar das palavras

eu cogitava
quantas tantas diria

Parque

Das copas das árvores
vi um monte de coisas,
vi moças
que quando muito
interessadas em rapazes
tornarvam-se capazes de atividades
que causariam fobia na maldade..,

Corredores

Em Pares,
paredes paralelas
feitas com desafetos
e segredos desonestos,
formam estreitos corredores
destinados à lugares
onde se consegue
à qualquer preço,
prazer ou sucesso.

Concluir o percurso resulta...

...em não mais poder dizer
o que bem entender
ao ser desconsiderado
um indivíduo com um direito
com o direito de ser respeitado
passando a ser só uma puta.

Desastrado

Desde a infância me informaram as regras,
quebrei a perna quebrando uma delas,
quebrando outras, quebrei a cara.
Destruí muitas horas, dias, meses,
de outras pessoas que não estavam informadas
que eu quebrava quase tudo em volta.

Quebrei umas portas que não queriam abrir
para que eu olhasse o caminho,
caminhei por lugares tortos,
fui sozinho tentando quebrar
e fui conseguindo.

Meus pais continuaram sorrindo
por outros montes de motivos,
dos meus passos desastrados nunca,
quebrei as expectativas deles
por várias vezes, por todas as vezes
que viram, ou sentiram.

Desastrado, quebrei minhas próprias regras,
quais criei nos caminhos.

Deixei em cacos, muitos pratos
dos quais me serviam bem,
alguns nem colei, nem catei.

Quebrei pessoas arrogantes
com golpes de luvas.
Quebrei o silênicio de mentes criativas,
quebrei a cabeça procurando
respostas que nunca existiram.

Despedacei muitas coisas
das materiais aos sentidos,
quabrei garrafas de vinho
depois de estarem vazias,
quabrei camas, pias, cadeiras.

Construí amizades inquebráveis,
quebrei um ou dois inimigos.

Quebrando um monte de coisas
com ajuda ou sozinho, fiquei triste,
quebrei muito choro pra montar uns sorrisos.

Minha vida é quebrada, desastrada,
torta e do avesso,
irritante para os preocupados comigo.

Nunca quebrei meus sonhos construídos,
mantenho intacto também os pesadelos
para não quebrar o equilíbrio.

Encontro

Eu vi voce nos olhos,
gostei antes que pudesse perceber,
que tínhamos nos gostado.

Disse o que consegui dizer,
por necessidade involuntária,
na velocidade do que sentia ser desejado.
Ouvi voce de perto,
lembrar-me ao responder,
que essas coisas
movidas por impulsos
só são sentidas,
quando sentidas por dois.

Instantes depois, o sabor,
o calor, e por segundos
o resto de tudo perdeu a cor.

Sob efeito encantador
da desconhecida cheia de palavras,
o fluxo do que acontecia em volta
se antecipava ao que eu desejava...

...pela manhã, eu sorria,
voce gozava.

sábios

Pensadores geniais,
cientistas pós-graduados,
compositores renomados,
consagrados artístas,
filósofos formados,
filósofos de boteco,
estudiosos, religiosos,
poderosos, indignados,
doutores, criativos,
pesquisadores, espiritualizados...

Tanto se expressa
sobre perguntas, respostas,
tantas soluções são propostas,
em tons de aposta,
com absoluta certeza.
Há tanta clareza
nas palavras de quem as põe a mesa,
chega a ter muito empenho na defesa,
e ainda, desdenho das opniões opostas,
afim de afirmar estar certo
dominar o assunto sobre qual se fala.

Ser a referencia da informação,
o raciocinio brilhante,
a inteligência, o bom senso,
provar ser o gigante intectual,
cultural, social,
o líder, formador de opnião.

Já vi, em alguns casos,
o pretendente por ser convincente,
falar de um artigo publicado
em uma revista importada
qual ninguem ali presente havia lido,
revista muito conceituada, confiável.
Em outras oportunidades, presenciei depoimentos
de quem afirmava ter um amigo, parente,
qual teria visto, escutado,
quando durante o acontecimento,
que provaria o contestamento, lá estava.

Sinceramente, as vezes penso muito,
se sou eu o alienado, desinformado e burro.
Ou se essa gente está viciada
em estar certa de todo e qualquer assunto,
usando o ego em nível avançado.

Doce

Flávio Bougleux Lino,
qualquer um,
do meu DNA ou não,
amigos de tempos,
recém conhecidos,
a maioria,
mesmo os sem referencia
já chamam logo:
"Flavinho".

Não tive muito dinheiro
um dia sequer da minha vida,
quase nunca fiz sucesso
com as meninas desconhecidas
por aparência,
já com as mais próximas
ou portadoras de referencias,
tive sorte desde sempre,
até porque
me apaixonei pela maioria
mesmo que por um dia,
tá, talvez por todas,
uma ou duas de cada vez,
e haja poesia.

Nunca me senti
melhor que ninguem,
absolutamente.
Muito menos
cobicei a vida,
as coisas
de alguém.
Cada um tem o que tem
naturalmente.

De tempo em tempo,
frequentemente,
um ser pobre de espírito,
fala meu nome
intensionado,
determinado,
a me prejudicar,
sei lá,
eu, sinceramente nem entendo,
não me interessa tambem,
geralmente,
não sei como,
acaba me trazendo algum benefício.

Tenho uns vícios,
pessoas,
sou muito viciado em pessoas,
as meninas mais.
Pessoas gostam de mim,
quando não,
aposto um kilo
daquilo que qualquer um quiser,
que tem a ver,
ou vai ter,
com mulher.

Já ouvi histórias com "flavinho"
que minha memória
anda meio sem tempo de guardar,
as que eu lembro
não vale mesmo citar.

Eu erro muito,
nem sei quando isso vai parar,
tomo altas surras da vida.
Porra, mas a vida é querida,
minha queridinha,
e ao meu paladar
a vida é doce,
choraria se não fosse,
mas é doce, docinha.
Lógico,
tem hora que é amarga,
aqui se faz, aqui se paga,
tem quem não aguente.

Eu estou por aqui,
saboreando sorrisos,
sem falar da vida
de nenhum ser sequer,
todos os dias,
com ou sem poesia
viver
é um prazer.

Diante do azul

Eu também tenho meus pensamentos ruins,
minhas inseguras dúvidas desertas,
minhas fraquezas,
minhas insistentes certezas
sobre coisas que só imagino,
que provavelmente jamais vou saber,
sem fundamento real, sem motivo.

Eu aprendi que é normal,
mas não consigo acreditar
no conforto do comum coletivo.
Diante do azul, somem todos os moinhos do mundo
fica tudo claro, iluminado por instinto,
lembro logo das dicas
sobre ausentar a mente insistente,
insistente, insistente,
para tentar viver dos sentidos e só.

Eu tenho por você um sentimento esquisito,
diferente dos outros,
intensivo, sem domingos,
sem cuidados com o que expressar,
em estágios fortes e progressivos,
com coincidencias consecutivas assustadoras
ou seja o qual for a descrição:
conexão, avisos, fluxo.

Eu estou aqui, com você, só você
em meus desejos, cortejos e esconderijos.
Só teus beijos, teu cheiro,
teus devaneios e caprichos.

Eu, no presente, seu,
e dos seus olhos, do seu colo,
do seu tato, e só,
faça o que quiser com isso.

doido.

Doido?
talvez.

Uma vez que
entre paredes,
sozinho,
sem ser visto
ou escutado,
sou o mesmo surtado,
que quando
na frente
de qualquer ser
do desconhecido
ao mais amado.

rux

Quase agarra,
canta muda,
dança e escuta,
acha graça,
toca fogo e passa
fingindo de surda.

caminho

O caminho torto
faz tempo que é meu preferido,
faz muito tempo
que eu sou muito querido por meus amigos
e perdido.

Meus pais com certeza,
mesmo de longe,
não aguentam mais,
faz tempo que perderam a paz.
Faz anos que sou da arte,
que causo danos
e faço coisas pela metade.

reflexo

Não foi preciso que me dissessem,
não necessitou de análise
para que muito cedo eu descobrisse
que minha movimentação no mundo
é alimentada por emoção.

Ouvi teorias diversas sobre meus versos
sobre ser intenso
sobre meus imensos sentimentos.
Julgaram-me várias vezes
por meus muitos envolvimentos
com várias mulheres,
julgaram-me safado, mentiroso,
afobado, ansioso...

Fui odiado por invejosos,
fui invejado por seres sem luz,
fiz sofrer, ajudei a crescer,
vivi dedicado aos meus amores,
senti dores inexoráveis,
transei com mais mulheres
que poderia lembrar.

Amei mais que tudo
transformei pessoas em meu mundo,
aconselhei brilhantemente,
fui eficiente na cura de dores,
ajudei muita gente perdida na mente.

Desenvolvi armas contra o ciúme,
meu e de minhas companheiras,
vacilei, deixei que fossem embora,
muitos únicos amores da minha vida.

Perdi mil noites de sono,
ganhei horas de valores incalculáveis,
menti, joguei, me enganei, me perdi,
chorei menos que sorri,
tive medo, muito medo,
que fosse cedo, que estivesse tarde.

Até agora vivi tudo,
estive aqui,
sendo somente o que sou,
por inspiração,
eu sou assim,
sou de verdade...

int

Incendios crescentes,
intuições a se ausentar,
quem quer sorrir
não vai comprar
distrações
que vão fazer chorar.

Toda gente é poeta

Ansiedade?
sei lá, sei que é parceria,
insônia e poesia,
seja desabafo ou terapia,
só vício ou só arte,
talvez uma parte de cada.
Cansei de ficar sem palavras
e inventar de inventá-las.

Em algumas vezes
quando mais novo,
taquei fogo em poemas,
assim que terminei a ultima linha,
sem ler, sem querer saber
o que eu mesmo me escondia.

Me ajudou muito com as meninas,
poesia, poesia...
nunca penso como seria sem,
uma vez
roubaram o chevete de um amigo meu,
onde estava uma pasta,
com quase quinhentos originais
ou mais, talvez,
fiquei os dois anos seguintes
sem escrever,
mas é o seguinte:
voltei cuspindo poesia,
diariamente.

Inspirações? Bom,
eu tenho um monte,
tem gente que poderia mudar de nome,
em vez de se chamar
seja lá como se chama,
poderia se chamar: Fonte.
Já recebi elogios de gente assim
que eram muito mais poesia
que o próprio poema.
Uma vez uma menina
que leu uns versos meus sei lá onde
se apresentou:

"- Oi, meu nome é Amanda,
muito prazer,
já li muitas coisas que voce escreveu,
voce pode até achar estranho,
mas antes de saber seu nome,
ao falar de voce,
te chamava de sonho."
Ai, ai...
Essa foi dona de muitos,
perdi a conta de quantos.

Confesso,
não leio quase nada de poesia,
e pouco, outros tipos de literatura.
Mas andei reparando
que faço leitura da vida
em formato poético,
vejo poesia em diversos comportamentos,
meu porteiro por exemplo, é poeta,
e esse as vezes, ainda é bruxo e profeta.

Tem gente que não gosta de poesia,
acha chato, detesta,
a maioria é poeta
quando acerta o sentido,
quando toma um choque de emoção
capaz de anular o raciocínio.
Todo gênio que eu conheci é poeta.
Nossa, o que mais tem na roça,
é poeta.
Vendedores ambulantes tem poesia no sangue,
aliás, a poesia desses é impressionante.
Cientista? Poeta.
Manobrista é poeta.

Toda gente sente, expressa,
toda gente é poeta,
nem que seja só nas noites de natal,
todos são,
basta saber quem é sereno
e quem é dilúvio emocional.

arquiteto

Arquitetando labirinto.
Incentivando fatores
provocadores de inspiração.
Exagerando a dor.
Inventando amor.

Ouvindo a cor
das imagens dos sentidos.
Construindo perdição.
Perdendo direção.
Encantando mulheres
mais bonitas que o possível.

Criando o inimigo
invisível, invencível.
Guardando troços.
Enfraquecendo ossos.
Bebendo imaginação.
Treinando o coração.
Descobrindo esconderijos
de minha criação.
Fabricando abrigos
imaginários sem proteção.

Transplantando condição.
Implantando insanidade
nos obstáculos da realidade.
Transformando respiração.
Cuspindo dom.
Enterrando segredos.
Lendo medo
das coisas ecritas
pela própria mão.
Ao ver as torres
serem erguidas
com devaneios
de pobres tropeços,

eu acho chato.

Ao ver as luzes
se apagando
no raio de metros
por onde passo,

eu acho o máximo.

13

Não direciono méritos
por acertos diários

não há motivo para preocupar-se

não julgaria você
por desnecessários assuntos
de diários recitados
em momentos de usos
confusos de inspiração.

AL.

Esperam luzes
ignoram claridade
gostam mesmo do calor

estão em posse
do tesão em buscar
formas diferentes de se respirar

tesão na espera por dias frios
e todas as formas de se esquentar.

inventor

o sonhador
inventor
inventou de praticar
se especializar
na arte de fazer
ao escrever
o seu sorriso
se multilpicar

tem, tem

Há quem acredite
que existe
de tanto que se planeja
de tanto que se corteja
os moldes da expectativa
há quem viva
cortejando por troca
por planos individuais

não importa
o que se deseja
se mais
se menos
venenos mentais
elaborados
pela ciência dos ignorantes
anulando qualquer instinto
pensamentos famintos
por enganos
cercados de certeza
tentando nos espelhos
evitar os danos
cotidianos

há quem distribua
conselhos
receitas de sucesso
calculadas
durante o envelhecimeto
de acordo com o tempo de vida

há quem publique livros
que tratam de ajuda
citando caminhos
ensinando a evitar ser sozinho
ou ensinando a estar só

há quem afirme
o que é melhor
ou pior
há juízes
felizes
por saberem expressar argumentos
por ter o poder
do dinheiro
da força

há quem confie
que o destino está traçado
que está tudo escrito
em formas de méritos
castigos
evitando ser responsabilizado
quando auto-julgado errado

tem quem diga
que a vida
é somente uma
outros tem certeza
que aqui é uma passagem
que depois tem uma viagem

existe quem tem certeza
sobre o futuro
passado
natureza
padrões de beleza
e prove tudo com clareza
explique com rapidez
na inteligência
na ciência
ou aos murros

tem que jure
que os que desacreditam são burros
ou perderam a lucidez.
.

à ídola

Eu prefiro a sua poesia
ela tem um tempo
que é do tempo invejar
tem a leveza
que dasafia o ar

eu me inspiro
vendo sua poesia dançar
é o palavrear dos sentidos
é o encanto do tanto
que nao cabe no mar

eu me inclino
vendo seu reinado versar.
.

Sem jogos

Ouvi contar por aí
que é preciso entender do jogo
que é fundamental ser jogador.

Ouvi dizer por aí
que é necessário o raciocínio
que evita a dor
protege do fogo.

Ouvi um pouco
não lembro direito
que é bom esconder os defeitos
firmar os conceitos
aparentar ser seguro
sempre, sem furos.

Li em algum lugar
sobre ter em alta
a tal da auto-estima
que ajuda a ganhar
que intimida ao lutar
expressa confiança.

Vi em um filme
que é preciso ter seu time
que a liderança é um dom
ajuda a ser firme
indispensável para ser bom.

Seja o que for preciso
eu não

não vejo graça nos grupos
coleciono os tropeços
sou mais inseguro que pareço
meus sorrisos não tem preço
tenho mais amigos que mereço
vivo dos furos
vivo em apuros

minhas fraquezas
são versadas, postadas, impressas

não protejo amores em fortalezas
não faço questão de estar certo
convivo com as dores
e a felicidade está quase sempre por perto.
.

Doce surto

Enchi a paredede pegadas,
não preguei os olhos
por um segundo.
Enchi um papel
com palavras,
e o peito
de apuros.

Fugi do controle
em uma hora
vi tudo claro,
vi quase tudo.

O descontrole
nesse caso

é um doce surto.
.

licença

Meus olhos procuravam a passagem
que me levariam
ao encontro dos teus
meus olhos se perdiam
quando pediam
que você deixasse
que eu chegassea te encostar

os teus muros
calavam meus sussurros
que encatariam teus dias
você tinha uma blindagem
contra os contos
da minha poesia
meus braços
imploravam
se esforçavam
pra envolver os teus traços

meus olhos não conseguiam
mais espaço
eu chegava perto
e regressava um passo

seus versos não deixavam
que eu me afastasse
seus olhos
desfaziam seu disfarce

meu instinto
ordenava
que eu entrasse
sem licença
sem pedidos

nesse dia
a poesia
amanhecia
a dois
à noite
depois
até tarde
aos livres passes.
.

Versos de confessionário

Em noite de versos de confessionário,
a poetisa chega dançando as palavras.

Em noite inspirada,
a poetisa inspira a versada
sob os olhos do poeta afiado.

Que seja um evento celeste,
ou a chegada da era de aquários.

Que seja a numerologia,
baseada na quantidade de letras
escritas nos antigos diários.

Que esteja na bula, nos livros, no almanaque,
nos dicionáios e em todos os calendários.

Não me importa a ciência, cultura,
terapias, regras ou escapuláios.

O coração do poeta é incendiado,
o coração da poetisa é incendiário.

sonho expresso

não é sua beleza em excesso
não é o que ela bebe
o que ela veste
é o jeito que ela se mexe

não é o que ela fala
é o processo de suas palavras
das suas risadas

ela foi por uma noite
a ladra de versos falados
não foi seu progresso
ou universo

foi desde a chegada
das flechas azuis atiradas
e a impressão deixada
dela ser um sonho expresso.

menu

forneça-me um
bem rico, bem vasto
para deixar bem limpo
o lado desastrado
que arrasto

forneça-me dois
um de vidro
um de plástico
um guardo em casa comigo
o outro para resistir
se cair
diante do diamante
com sorriso fantástico

só mais um
para limpar a timdez
que outro dia fez sangrar
duas pessoas de uma vez
uma corria
a outra sorria
enquanto a poesia
se excedia
em orgásmos e embriaguez

vai*

vai deixar
minha poesia
passar nos teus dias
nas tuas noites
invadir tuas madrugadas
acalmar tuas agonias

vai deixar
que eu conduza a levada
dos passos sonhados
dos sorrisos encabulados
de dias mais confusos
e dos abusos declarados


.

...

"Quando não tiver mais jeito
Arte na veia
Natureza no peito"

(Gabriela Alcofra)

!?

Importante e estressante lembrar,
de não deixar esquecer de expressar
o vigor do que te estressa.

Das besteiras diárias do teu luxo,
não quero a carne,
muito menos os ossos,
não não, sem essa de bruxo,
sem essa de místico,
crime artístico, um futuro,
mil furos, mil muros,
e a voz interior da sua neorose,
grita aos sussuros,
que sua muinição de palavras,
é anti-balística,
jamais são indentificadas.

Conveniente seria
se teus podres pulassem
junto com as doideiras da tua tosse,
e teus monstros acabassem,
só restaria luta por posse,
mas a voz nao te deixa,
você esperneia, se queixa,
não para de respirar,
não perde, não ganha,
não morre, não corre, não ceia,
aprisionado em suas teias.

Grita de fome,
o alimento do teu egoísmo consome,
o teu nome, é um abismo,
a máscara some,
abismado, quase calado,
de fato, não há ninguém perto,
o mundo real está la fora,
você vive ou você chora?

quita*

Em linguagem de sonho
Desta vez o medonho foi o confuso
O desuso da inteligência
A fuga trazendo sua consequência

Em meio ao desejo e aos exercícios
De paciência, de frequência
Vivo o momento pelo qual me ausento
Ideias que eu mesmo não sustento
Descartar doces vícios
Encontros propícios
Indícios de um início saboroso

Encantado, abusado, quase louco
Eu quero e não é pouco
Por mais que os assuntos sejam geniais
Eu quero mais, eu quero corpo.

O maluco sou eu

Hoje conversei com um missionário
da organização igreja católica,
a empresa fundadora da ideia diabólica,
olhe mas não foque, foque mas não toque,
não peque, mas também não se enforque.

Concordo que tem ajudado bastante.
A multiplicar uns montantes,
ouro, carros modernos, bancos de couro,
ternos italianos, num estilo mafioso puritano,
sucesso, referência, Vaticano.
Representados no clero,
por seres manipulados e irritantes,
que ao ler um livro, são controlados e arrogantes.

A bíblia, um livro,
como senhor dos aneis, foi escrito.
Manipulação de massa,
controla os fatos, definine as raças,
duvido que eram os planos de Jesus Cristo.

Jesus, inteligente e são,
não movia finanças e organização,
era Súfi, era coração,
não guardava dinheiro, não usava espelho,
era de liberdade, um irmão.

O missionário comentou
que não era permitido sair da lucidez,
mas não soube me dizer como jesus fazia,
pra passar tantos dias bebendo vinho,
e não cair na embriaguês,
a lucidez,
é um controle remoto que a igreja fez.

congruência

(Leila Neves/Flávio Bougleux)

Se liga nisso...
a gente é esquisito,
nos olhos de quem nos conhece,
vemos refletido, uma admiração,
um certo fascínio,
como se fóssemos diferentes... especiais,
porém...

...essa parte não sei nem concluir,
não sei...
só sei que não tenho dinheiro,
e ainda assim, companheiro,
todos os dias, morro de rir...

olhares*

Se já não bastasse saber que não sei de fato,
me acontece de esquecer,
e por todos os jeitos de pensar, tentar endender,
coisas que provavelmente eu deveria lembrar,
que não são de compreender, são de viver,
as tentativas de calcular e esclarecer,
vão me confundir, são de enlouquecer.
Os níveis de ansiedade assustadores,
provocam instantes descendentes de noites cheias de letras,
palavras que não valem de nada,
uma espera deficiente para que cortesias sejam aceitas.
Complete meus dias com a tua ausência se for o caso,
caso contrário, deixe desconstruir e consrtuir,
sem querer, tudo que for por acaso,
admirar-te é muito claro,
interesses imensos no raro,
semanas inteiras de versos,
progressos, regressos, independente do resto,
incondicional, olhares, encantadores excessos.

Agora!

Se confortar a ti, ser visto em boa posição,
agarre-se ao seu ego confortável,
use seu texto razoável, respeitável.
Surpreendente seria o que não existe,
o imprevisível, possivelmente, insustentável,
incrível, publicamente detestável, adorável.
Alimente-se do que você consiste, insiste,
sinta-se mal, fraco, faminto,
pergunte ao seu analista, é normal ser egoísta,
racista, artista, golpista.
Está tudo na tua bagagem, qualquer bobagem,
use remédios imediatos contra o tédio,
caso não seja suficiente, jogue-se de um prédio...
...ou esqueça as regras burras dos teus ensinamentos,
faça novo, cada instante do teu tempo,
sem lamentos, sem vinganças, sem lembranças,
só o agora, só o momento.

Veja

Entende meus olhos?
Há uma seleção por si só.
Não garantidos valores promíscuos,
apegados a um trevo seco guardado há anos
numa estante velha entre velhos discos,
ou numa foto que não se pode perder,
que já sofreu muitos danos,
mas relembra o que foi brilhante,
o registro daquele instante.
Bobagens imaginárias com cores falsificadas,
cada um com suas bobagens,
habitando suas moradas.
Carros novos, festas caras,
carnes nobres, drogas raras,
mulheres pintadas e fantasiadas de nada,
seja qual for a quantia,
seja qual for a tara,
não estimulam minhas melhores risadas.
essas, expressam a verdade,
não tem explicação,
são de sorrir e de perder o sono.
Quer saber qual é de viver como eu vivo? Te mostro como.
Viva em companhia da lealdade que tenho entre meus amigos,
Apaixone-se pelas mulheres por quem me apaixono.