Dona

É que a dona
É dona de uma boca
De desconcentrar
De me fazer querer saber
O sabor e a cor das partes
Quais não posso ver

O jeito que ela tem de se mexer
Dá vontade de saber
Das coisas que ela gosta
E como vai se comportar
Segundos antes e durante
Os instantes em que gozar.

Avança

Em outros tempos
Eu, desatento
Perdi você


Embora agora
Eu tenha tanto
Pra te dizer
          Meu peito
          Cala a garganta
          Mas meu pulso
          Avança
          Em te escrever


Lembranças
Por vezes
Trazem impulsos
             Em direção
             Aos múltiplos modos
             De inspiração
                           Feitos todos
                           De você


     Planos
     Gerenciados
     Por imaginação
Trazem também
Inspiração
Influenciada
Por saudade
              Da realidade
              Que a minha mente
              Não deixou existir


Outros gêneros
Imaginários
Aliados a partes
       De outras lembranças
       Geram desejos
              E os mesmos, então
              Trazem formas completas
              De inspirar-me
Na tua boca
Nas tuas pernas
Nuca, peitos
Cabelos, temperaturas
Todas as partes
Dos beijos
Das cores
Sons, odores
Que formam você


              Em outros tempos
              Eu, desatento
         Tantas vezes
         Perdi tanto tempo
         Perdi tanta coisa
         Perdi você

Mas por sorte
O que move
A parte que faz
Com que o poeta acorde
Pelo jeito
Nunca vou perder.

Ela ali

Lua Nova
Noite linda
Na janela

Lua Nova
       De cinema
       Ela linda

       Noite nossa
       É poesia
Noite fria

A Lua Cheia
    Invejando
          Ela tão bela

Noite quente
   Eu sem ela
Mente agita

   Ela aparece
   E me grita
            Na janela

            Ela ali
            Sob a luz
            Da Lua clara

    Ela, Aline
           E eu, logo eu
           Sem palavras

Noite estrelada
Ela calada
Eu falante

      Medo gigante
      Dela falar
              E de algum jeito

      Esse estranho
      E perfeito
Sonho

      Acabar.

sonâmbulos

pulsos
sangrando frases
sem cortes

frases
cortando pulsos
sem sangue

sonhos sem dono
sonhadores sem sono

sonâmbulos
guardando segredos
seguindo planos

guardas
sussurrando medo
garantindo sono

sangue sem temperatura
surra sem danos

chuvas
secando flores
incendiando amores
em preto e branco


Assim, tratada

Olha, moça
Aliás, ouça
Mulher, aliás

Enfim, Dona
           Preste bem
           Atenção

           Saudade assim
           É da raça
           Que não se trata


Só se
Adormece
E olha, e ouça
A danada
Tem sono leve

Saudade assim
               De ser
               Tratada
               

                           Via satélite

             
                E saudade dessa
                O máximo
                Que se resolve
                                          De toque
                                          Se for o caso
                 E acontece                     
                 É a quantidade
                 Que o toque toca

Em som
Ou vibração
Ou não
                                          
                 Em ligações
                 Falta de energia

                                      Ou conexão

Saudade assim
É covardia
Ainda bem
Que tem
           Poesia
            
           Caso o contrário
           Esta seria
           Saudade assassina

                           Saudade assim
                           Não tem
                                            Fim

Não se mata
Mas também
Tem risco que com ela
                    Não se corre

                    Esta, não deixa
                    Lembranças boas
                    Partirem jamais

                                  E de saudade assim
                                  Não se sofre.

Acontecer

Foi no mesmo instante
Ver você, nesta harmonia
De acontecer
Em suas formas
Nas formas de se mover
Ver, foi o bastante
Pra mexer no poeta
Que há muito
Nem se movia, dormia
Sob o silêncio imponente
Da ausência de inspiração

Foi ver você
E sentir presente
O princípio ativo da ação
No meu formato predileto
Tornando meus impulsos
Compulsivos por expressão

Ver você, a sorrir
Fez lembrar da força
Causada pelo seu sorriso
Fazendo quase tudo ao redor
Tornar-se menor ou invisível

Licença poética
Caso não fosse pra uso
Não existiria
Aquecido por tal benefício
Venho declarar que te encontrar
Embriagou-me de vontade
De alimentar minha literatura
Dos diversos estágios
Da sua temperatura 

Você mexe na parte
Que eu mais tenho apreço
E cuidado em mim

Habitante

Moça, vou te contar
Tentativas exaustivas
A fim de entender o motivo
Ou saber de onde veio isso
Não teriam quaisquer serventia

É inalcançável, invisível

Não está em livros ou dicionários
É quase como agonia
Seria detestável
Caso não fosse irresistível

Em um passo de instante

Passa a ser você
Habitante do meu tempo
A visitar meus pensamentos
Sem qualquer anúncio

Vou te contar, mas em segredo

Impulsos geram relatos
Que embora eu quisesse esconder
Gritam nos meus versos
Afins de te dizer que já é incalculável
O tanto de vezes, que sem querer
Querer você é inevitável.

`

Dizem, sábios
Entendedores
Da linguagem dos livros
Sem conseguirem
Serem livres
Um dia sequer

Amor dos outros é pouco
Briga dos demais é ridiculo
A cabeça de fulano e fulana
São como cubículos

Julgam, assuntam
Adestram-se, detestam-se
Em vez de assistir
E mesmo que
Não possam aprender

Olhar e sentir
Como o amor
De quem vive amor
É tão mais simples
É da cor que não está nos livros

É amor, não
É amar e estar vivo.

Declaro

Declaro amor por humanos
Sem determinar quais amo mais
Sem excluir fulana ou ciclano

Em proteção, em necessidade
Prioridades à minha família
Mas o amor que aqui transborda
É uma só arca que transporta à todos

Declaro amor por humanos
Os que não estão acreditando
Os que me causaram ou tentaram, sérios danos
Até mesmo os covardes, prepotentes, amo
Ciganos, viciados, individualistas, arrogantes

Declaro amor por todos
Mesmo confiando em poucos
Mesmo vendo a maldade, amo
O amor que sinto não tem motivo
Independe das vidas que andam levando
Não tem a ver com o que estão ganhando
Não preciso saber o que estão sentindo ou pensando
Não me interessa como julgam meus costumes
Menos ainda o que falam ao citar meu nome

Eu declaro muito amor por humanos
Os que erram sabendo e continuam errando
Os mais fracos, os mais egoístas
Estrangeiros, assassinos, crentes
Revolucionários, carentes, folgados
Não me interessa quais são seus objetivos

Sentir ódio, eu também sinto
Mas deixar de amá-los, não consigo.

Arquiteto

Arquitetando labirintos
Incentivando fatores
Provocadores de inspiração.
Exagerando a dor
Inventando amor

Ouvindo a cor
Das imagens dos sentidos.
Construindo perdição
Perdendo direção

Criando o inimigo
Invisível, invencível.
Guardando troços
Enfraquecendo ossos
Bebendo imaginação
Treinando o coração
Descobrindo esconderijos
De minha criação
Fabricando abrigos imaginários
Sem proteção

Transplantando condição
Implantando insanidade
Transformando respiração
Cuspindo dom
Enterrando segredos
Lendo medo
Das coisas escritas
Pela própria mão.

Chegadas as horas

Quando o tempo acabar
E eu não puder esperar mais
Com essa calma e conforto

Quando um cego vier avisar
Que não sei mais ver diferença
Entre viver e não estar morto

Quando voltar a enxergar
E antes que eu possa evitar
Um sopro fechar todas as portas

Quando não souber dizer
O que quero dizer com isso tudo
Que não suporto ficar sem escrever

Meus olhos vão esquecer
O que me faz buscar felicidade
E irei morrer de saudades
De poder viver as partes
Quais vou morrer sem connhecer.

Caminhos

Incendios crescentes
Intuições à se ausentar

Quem quer sorrir
Não vai comprar
Distrações
Que vão fazer chorar.

17 de Abril

Se você não existisse
Tudo seria monte de nada

Se você não existisse
Eu inventaria uma de ti

Se você não existisse
Se você não estivesse aqui
Amor seria tolice
Poesia seria chatice
E meu coração, uma pedra gelada.

A encantadora de girassois

Nervosismo inexplicável
Receio, cuidado
Todos os jeitos de evitar
Expressar-me demais
E mais, preocupar-me
Em ser aceito quando o fizer

Só desfruto desse comportamento
Quando o receptor da expressão
É uma mulher.
Só fico assim
Tropeçando nas palavras
Me inspirando tanto, a ponto
De ir desistindo de falá-las
Assim
Só quando em estado encantado
Inspirado

Não fiz terapias
Nunca frequentei analistas
Penso as vezes que até deveria
Mas acho que quanto a isso
Não necessito ser diagnosticado
Tenho forte intuição
E na minha opinião
o que me faz raciocínio
Perde de muito
Para o que me faz emoção

Julgado, difamado, falado
Por mulheres lindas
Na essência e na aparência
Por homens, creio eu, limitados

Eu não sou apto à dizer
Quem está certo ou errado
O que posso fazer ser expressado
É que eu só me movo pelo que sinto
Por instinto, que admito
É faminto por poesia
E poeta eu não seria
Caso não fosse exagerado

Por exemplo, nesse momento exato
Encontro-me em estado de encanto
Em nível alto, avançado

Mesmo que seja impossível
Deixar claro em registro
Vou deixar escrito, o rascunho
Da explicação de como a culpa
Não é minha, é da moça
É ela que faz com que eu sinta tanto
Com tanta força
Que meu punho quase que sozinho
Dispara a dançar nas folhas

Um apelido para ser dado a ela
Tem que ser de um bom gosto elevado
Exige ser genial, caprichado
Porque a moça além de muito bonita
Carrega Flores no nome que assina
E grita: "sou feita de charme!"
Sem dizer absolutamente nada

Vão dizer ainda que a culpa é minha
Que eu sou fácil de ser conquistado

Veja bem
Ela brilha um sorriso só dela
Versa seus passos dançando
Agora diga se sou culpado
A moça dança de um jeito.
Que se eu pudesse escolher
O roteiro dos meus sonhos
Sem dúvidas, em sonhos
Há muitos anos já teríamos dançado

Eu? Poeta? exagerado?
Olha, não sei dizer direito
O que mais me parece interessante
Se é o cheiro ou se é a voz.
Quase esqueço o que a moça tem de sobra
Que me encantou de começo
A luz, isso nela, transborda
A luz da moça é tanta
Que se for de seu desejo
Planta no apartamento seus girassóis.

Alguém aponte nos meus versos
onde há exagero dos meus cortejos.
Eu simplesmente sinto o que interpreto,
interpretando o que é sentido,
no ritmo que bate essa coisa no meu peito.

.

A cidade sorri

Minha vontade de escrever
Aparece em um instante
Sob incentivo de um coletivo
De sensações sem nome
Em doses exageradas


Sob efeito desse impulso
Passo a ser punho
Caneta e papel
Embriagado nos encantos
De uma moça
A qual conheço tanto
Quanto conheço os sonhos
Que nunca tive


E aqui estou, sonhando
Sem sono...


Assisto a moça caminhar
Fazendo a cidade sorrir
E a cada passo que dá
Dela transbordam versos
Toda a cidade vem assistir
A moça que por onde passa
Fabrica um recital a lhe seguir.

Entre paredes de Copacabana

Eu
entre paredes
que desconheço
se de fato
era aceito
e respeito.
Sob efeito
de incentivo
refinador
dos meus sentidos
vi meus defeitos
versados
aceitos
por verdes
multitonados
refinados
que não lembro direito.

Lembro
serem de um jeito
que nem a ousadia
da minha poesia
arriscaria ser próximo.

Em versos tóxicos
dos que são expressados
sem auxílio de raciocínio
sem previsão de prevenção
escutei multiplos acertos
no concerto
em notas
das cordas falhadas
amplificadoras
dos multiplos
assuntos astutos de ana.

a aparência
que me desconcentraria
que me faria gago
encontrava-se
em fase
de quase ausência
em um dia
que continha
uma semana.

os multiplos tantos
contos de ana
eram incentivo
de incentivos
multiplicados
servidos
em louça plana.
Alimentos
polinutritivos
de descontidos
desprevenidos
fragmentos de tempo
que mesmo
que venham
a ser desnutridos
após
pós momentos
postaram caminhos

plurais caminhos
de letras agrupadas
multiaplicadas
por polinização
da policriação
em multiprodução
entre paredes
de copacabana

eu
vi se abrirem
portas
tortas
multilineares
ao sumirem
sobre porcelana
poliversadas
palavras
derivadas
compostas
por ana.

Encantos

Eu chegava atrasado
as vezes
sempre
mas chegava inspirado
arrumado
sempre chegava
parecia magia
tudo encantado
nos encantávamos
com força
deitados
e de todos os jeitos
tudo encantado
perfeito.

Nossas bocas
muito loucas
muito uso
do abuso
falado
entre respirações
que acabavam com o ar
sem pressa de chegar
a pegar
muito abuso
do uso
da sede
na parede
na pia
na voz, vadia
sem poesia
você chorava
sorria
eu bebia
suas mudanças de cor
tremia
na sua
totalmente
ou semi nua
na mesa
na rua.

As vezes
você chegava crua
eu praticava
na sua
a gastronomia
você sorria
chorava
você criava
e chegava
eu sorria
na minha
você repetia
tremendo
querendo
a voz, vadia
na na sua cama
na minha.

As vezes
você chagava
e eu estava
com fome
cansado
cheio de poesia
sua cabeça doía
a gente comia
fumava
sorria
calava
dormia.

As vezes
eu não chegava
você chorava
e perguntava
da vadia
eu mentia
você sorria
eu tremia
temia
o seu sorriso mentia
disfarçava
eu fazia
você sumia
eu traía
outra voz te dizia
safada
sem poesia
no chão
na pia.

Na separação
eu te comia
sem voz
sem poesia
após
o amor
morria.

Inseparáveis

Ao meu ver...
Quer saber?

Na busca incansável por melhorias
Quem desiste sequer fica triste
Porque a perda nesse caso, não existe

Na conquista por sabores incomparáveis
E orgasmos que não podem ser descritos
Lágrimas e sorrisos são inseparáveis

Não há como evitar mudanças
Não há como eliminar os riscos
A cada suspiro, um novo infinito é escrito.

Saudades da favela

Andei uns tempos por aí
Conheci lugares.
Entre estes
Uns restritos
Para poucos

Frequentei novos ares,
Boates, apartamentos, bares,
Os quais em alguns momentos
Me fizeram lembrar
Palcos iluminados
Teatros e passarelas

Vi gente muito elegante
Muito influente, muito bela
E sinceramente
Muita saudade da favela.

Jardim vivo

A grande árvore anuncia
O inicio do final da tarde
Avisando que desfazer-se de partes
As quais não consegue mais suportar
Faz parte de manter-se firme

As senhoras donas do lago
Dançam com tanto charme
Que olhar, passa a não bastar

A chegada da chuva
Mais parece um palpite
De que na casa das bromelias
Ha um convite a nos abrigarAproximam-se mais convidados
Trazendo em seus sorrisos e olhares
A felicidade que não se pode comprar
E o amor pela vida se pronuncia
Sem lamentar o peso de seus fardos

O Céu logo atende o pedidoE em seguida, o inicio de noite
Anuncia a hora da despedida

O jardim da poesia viva
Silencia e escurece
Nos deixando a sós

E diante de nós
Adormece.

Pedras

A segurança que é causada
Por excesso de confiança e afinidade
Pode ter consequência covarde

A base de pedras verbais
Disparos perfeitos são feitos

O confiante subconsciente
Tem certeza que sente
Tem certeza que é leal
Por isso, assegurado
Transfere raiva
O mal cuspido
Sem fundar motivo real

Esposas, maridos
Filhos, pais
Amigos, mães
Amantes
Os mais dedicados.

Forjados argumentos são criados

Os confiáveis, vulneráveis
Imaginam mil possíveis deslizes
Ou infelizes palavras indesejáveis

A cegueira de quem ataca
Fabrica distância
E faz com que apareçam
Opiniões nunca divulgadas

Baixem a voz
Usem o senso
Procurem o senso
Ao se irritarem
Aprovem seus pensamentos
Tentem lembrar do que sentem

Os atacados subconscientes
Podem cismar
Em desistirem de digerir
O volume das pedras atiradas
E zerar.

ísta

Inteligência
Não produz recursos
Os quais preciso
Para ser digno

Minha vida é vazia
Por isso essa arte
Sem qualquer serventia
Sustenta o egoísmo
Desde sempre
Todo dia...

Brindar

Notei tremores
Em terrenos, aparentemente
Completamente seguros

Guardei venenos para brindar

Doei planos de causar danos
Aos traidores, sem notar.

O doido e a doida

O doido carrega uma cruz
Busca luz onde não há
A beber e a pernoitar
Fica sem mais passos a se passar

Uma doida o seduz
O conduz até a vacina
Agora além de não ter luz
Também não tem adrenalina

Fica só o doido e sua auto-estima

Ele procura uma cruz
Volta cheio de argumentos
A doida oferece o tormento
Em troca de doces momentos

Como paisagem
Um moinho de tempo
Contra-vento
Os dois escolhem os caminhos

Se for pra serem doidos a dois

Melhor que sejam
Muito doidos sozinhos.

Os melhores do mundo

Vi teus olhos de perto
Transparecendo
Tua sede
Por sorrir nos olhos

Vi coragem no teu jeito de olhar
Querendo em meus olhos
Atenção de verdade

Vi liberdade em teus lábios
Tremendo confusos
Em sorrisos mais puros
Que os meus sorrisos esperavam

Senti no teu cheiro um abuso
Confundindo meus passos

Vi a cor dos dias
Multiplicar-se em mil tons
Dancei teus sons
Dormi dias em apuros
Os melhores do mundo

Senti falta de tudo
Senti em sono profundo
Que só conseguia ficar acordado
Feito louco
Por voce em suas formas
Sua loucura adoçada
E por seu toque absurdo.

.

Não são seus olhos
Não é a sua pele
Não é o cheiro

É não ser perfeito e ser melhor que tudo

Pouco

Perco coisas
As quais mais fazem
Sentir-me beneficiado

Acho um tédio
Os previlégios que me são dados

Sinto falta de dores fortes
Quando só viver
Não me faz ser golpeado.

Sentimento expulso

O grupo de gente largada
Usando roupa larga
E que não larga a rua por nada
Projeta sob incentivo de instinto
Cada um na técnica que tem
No seu estilo individual
Sem pretensão de serem entendidos
Ou de arrancar elogios de sei lá quem

Estão a base de impulsos
Expulsando em pulsos
Tudo isso que sentem muito
Transformando os muros nas ruas
Em arte marginal pintada
Na qual cada artista que atua usa...
...amor, ódio e tinta enlatada.



( LIFE - ANG - MITO)

Fevereiro

O simples é tão mágico
Quanto tentam nos convencer
Que está tudo perdido
E o trágico é o comum

Nos servem com glamour
Um monte de valores invertidos

Mano... o amor
Não perde pra juíz nenhum
Não teme nenhum bandido.

.

O jeito comportado com que se mexe,
mexe com meus excessos de curiosidade
direcionados aos excessos
que provavelmente comete
ao descomportar-se.

Exausto

Falei muito
Variei nas formas
Alterei os métodos

Calei-me diante de frases
Ditas por você
Formadas por palavras
Que antes
Não suportava

Cansei de tentar
Se eu pudesse escolher
Eu não te amava.

Citações

Feitas perfeitas as colocações verbais
Conversas que lembravam recitais
Prometiam disciplina só vista em ceitas
O amor citado era de causar calor e tremor

Caiu no esquecimento por acaso
que é cada um por sí
caso seja o caso de sentir dor.

Desfaz

Uma abusada
Eu diria

Inspiração não
Ela é própria poesia,
En seus gestos
Desatentos
E intencionados
Na sua grande maioria

Me afronta
E aponta a direção
De uma porta
Que bagunçaria
A minha vida.

Rosalina

Mulher que canta encantada
Declama a palavra entornada
Faz no meu peito a parada
Assusta minha respiração

Só a vi cantar
Descalça no chão
Sem voz amplificada
Sem nada
Somente imponente emoção

Sua tristeza
Não turva vidraças
Fabrica um monte de graças
Cantando ou versando ela passa
Deixando inspiração

Ela é doida de praça
É fina, formosa, educada
É entendida, desastrada
É rosa, sentida, cantada
Agrada qualquer coração.

...

eu passava
te via
mas não te encontrava

eu imaginava
como seria
mas você não passava

eu te encontrava
e te perdia
no gagueijar das palavras

eu cogitava
quantas tantas diria

Parque

Das copas das árvores
vi um monte de coisas,
vi moças
que quando muito
interessadas em rapazes
tornarvam-se capazes de atividades
que causariam fobia na maldade..,

Desastrado

Desde a infância me informaram as regras
quebrei a perna quebrando uma delas
quebrando outras, quebrei a cara
Destruí muitas horas, dias, meses
de outras pessoas que não estavam informadas
que eu quebrava quase tudo por onde passava

Quebrei umas portas que não queriam abrir
para que eu olhasse o caminho
caminhei por lugares tortos
fui sozinho tentando quebrar
e fui conseguindo.

Meus pais continuaram sorrindo
por outros montes de motivos
dos meus passos desastrados nunca
quebrei as expectativas deles
por várias vezes, por todas as vezes
que viram, ou sentiram.

Desastrado, quebrei minhas próprias regras
quais criei pelos caminhos

Deixei em cacos, muitos pratos
dos quais me serviam bem
alguns nem colei, nem catei

Quebrei pessoas arrogantes
com golpes de luvas
Quebrei o silêncio de mentes criativas
quebrei a cabeça procurando
respostas que nunca existiram

Despedacei muitas coisas
das materiais aos sentidos
quebrei garrafas de vinho
depois de estarem vazias
quebrei camas, pias, cadeiras.

Construí amizades inquebráveis
quebrei um ou dois inimigos

Quebrando um monte de coisas
com ajuda ou sozinho, fiquei triste
quebrei muito choro pra montar uns sorrisos

Minha vida é quebrada, desastrada
torta e do avesso
irritante para os preocupados comigo

Nunca quebrei meus sonhos construídos
mantenho intacto também os pesadelos
para não quebrar o equilíbrio.

Diante do azul

Eu também tenho meus pensamentos ruins,
Minhas inseguras dúvidas desertas
Fraquezas

Insistentes certezas
Sobre coisas que só imagino
E provavelmente, jamais vou saber
Sem fundamento real, sem motivo.

Ouvi dizer que é normal
Parece mesmo, é comodismo

Diante do azul
Fica tudo iluminado por instinto
E ali, fica claro
A mente é o inimigo
Insistente, insistente

Eu tenho por você
Um sentimento esquisito
Diferente, intensivo, sem domingos
Sem cuidados com expressão
Em estágios fortes e progressivos

Em meus desejos, cortejos e esconderijos
Só teus beijos, teu cheiro
Teus devaneios e caprichos

Eu, dos teus olhos
Só teu colo, só teu corpo
Faça o que quiser com isso.

doido.

Doido?
talvez.

Uma vez que
entre paredes,
sozinho,
sem ser visto
ou escutado,
sou o mesmo surtado,
que quando
na frente
de qualquer ser
do desconhecido
ao mais amado.

rux

Quase agarra,
canta muda,
dança e escuta,
acha graça,
toca fogo e passa
fingindo de surda.
Ao ver as torres
serem erguidas
com devaneios
de pobres tropeços,

eu acho chato.

Ao ver as luzes
se apagando
no raio de metros
por onde passo,

eu acho o máximo.

13

Não direciono méritos
por acertos diários

não há motivo para preocupar-se

não julgaria você
por desnecessários assuntos
de diários recitados
em momentos de usos
confusos de inspiração.

inventor

o sonhador
inventor
inventou de praticar
se especializar
na arte de fazer
ao escrever
o seu sorriso
se multilpicar

à ídola

Eu prefiro a sua poesia
ela tem um tempo
que é do tempo invejar
tem a leveza
que desafia o ar

eu me inspiro
vendo sua poesia dançar
é o palavrear dos sentidos
é o encanto do tanto
que não cabe no mar

eu me inclino
vendo seu reinado versar.
.